Marcos Pablo Dalmacio | Ricercare

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Ricercare

by Marcos Pablo Dalmacio

7 instrumentos, 4 séculos de música. Uma viagem musical através dos tempos e diversas sonoridades: violões de 6, 8 e 10 cordas, guitarras renascentista, barroca e clássico-romântica, e vihuela!
Genre: Classical: Early Music
Release Date: 

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1. Homenaje a Tárrega, Op. 69: I. Garrotín
2:22 $0.40
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2. Homenaje a Tárrega, Op. 69: II. Soleares
2:14 $0.40
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3. Prelúdio No. 4 in E Minor
3:07 $0.65
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4. Suite Populaire Brésilienne: II. Schottish-Chôro
3:47 $0.65
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5. Julia Florida (Barcarola)
4:54 $0.65
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6. Vals No. 3, Op. 8
4:03 $0.65
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7. Preludio No. 6 in D Major
0:40 $0.40
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8. Valse (In D Major)
2:45 $0.40
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9. Menuet in C, Op. 5 No. 3 (Early Romantic Guitar)
1:24 $0.40
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10. Menuet in C Minor, Op. 24 No. 1 (Early Romantic Guitar)
3:06 $0.40
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11. 12 Etudes, Op. 6 No. 8 (Early Romantic Guitar)
1:44 $0.40
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12. Etude in C, Op. 29 No. 5 (Early Romantic Guitar)
2:59 $0.40
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13. Phantasia in A-Moll (10 String Guitar)
2:44 $0.40
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14. Phantasia in D-Dur (10 String Guitar)
3:28 $0.40
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15. Nouvelles Decouvertes Sur La Guitarre: Prelude in A Minor (Baroque Guitar)
1:15 $0.40
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16. Nouvelles Decouvertes Sur La Guitarre: Fugue in A Minor (Baroque Guitar)
1:49 $0.40
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17. Livre De Pièces Pour La Guittarre Dédié Au Roy: Sarabande in E Minor (Baroque Guitar)
1:35 $0.40
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18. Livre De Pièces Pour La Guittarre Dédié Au Roy: Menuet in E Minor (Baroque Guitar)
0:46 $0.40
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19. Livre De Pièces Pour La Guittarre Dédié Au Roy: Passacaille in E Minor (Baroque Guitar)
4:07 $0.40
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20. Tombeau de Gogo (Allemande in a Minor)
4:19 $0.40
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21. Prelude in A Minor (8 String Guitar)
0:44 $0.40
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22. Chaconne in a Minor (8 String Guitar)
2:41 $0.40
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23. Le Premier Livre De Guiterre: Fantasia I (Renaissance Guitar)
2:50 $0.40
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24. Tiers Livre De Tabulature De Guiterre: Pimontoyse (Renaissance Guitar)
1:28 $0.40
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25. Le Premier Livre De Guiterne: Fantasia I (Renaissance Guitar)
3:18 $0.40
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26. Le Premier Livre De Guiterne: Bransle (Renaissance Guitar)
1:04 $0.40
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27. Delphin De Música: Diferencias Sobre Guárdame Las Vacas (Vihuela)
2:31 $0.40
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28. Delphin De Música: La Canción Del Emperador (Vihuela)
3:22 $0.40
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29. Tres Libros De Música En Cifra Para Vihuela: Fantasia X
1:47 $0.40
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30. El Maestro (Libro De Vihuela): Fantasia I
1:47 $0.40
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ABOUT THIS ALBUM


Album Notes
Texto em Português --- English Text below

Ricercare

Este disco é meu primeiro trabalho solo, uma espécie de compêndio de vários anos de estudo gerada por minha permanente curiosidade e paixão pela música. De alguma forma, também reflete uma boa parte de meus interesses que vão ao encontro de novas ideias, as quais, curiosamente, vêm do passado, através de antigas partituras e dos instrumentos que me ajudam a decifrá-las.

O repertório deste disco é apresentado em ordem cronológica inversa: se inicia com música espanhola e latino-americana do século XX e finaliza com música hispânica para vihuela do século XVI. Para realizar este percurso musical, utilizo o violão tradicional, violões de 8 e 10 cordas, guitarras clássico-romântica, barroca e renascentista e a vihuela já mencionada. Minha intenção com esta disposição do programa foi a de evitar a ideia de evolução no sentido de melhoria, segundo a qual o violão moderno seria um instrumento superior a seus predecessores. É verdade que no violão é possível tocar toda a música de vihuela, mas impossível interpretar com uma vihuela qualquer obra de Villa-Lobos, por exemplo. É fácil nesse sentido, confundir versatilidade com superioridade, mas, a prática de fazer música com os instrumentos de época nos mostra caminhos e soluções que dificilmente poderíamos ter encontrado tocando essa mesma música com o violão moderno, de forma que se ganha outra perspectiva quando as obras são interpretadas no instrumento para o qual foram pensadas. Certamente, sempre toquei a música de vihuela com enorme prazer no violão, mas muitos anos depois, quando tive a oportunidade de tocar as mesmas obras no instrumento original, tal goze foi redobrado, pelo encanto de seu formato particular e sonoridade delicada. Uma grata surpresa para mim foi a descoberta da guitarra renascentista. Lembro-me de ter tocado música de Adrian Le Roy com deleite no começo dos meus estudos, e foi por causa desta lembrança que encarreguei recentemente uma réplica desta guitarra do século XVI. Para minha alegria descobri que este instrumento pequeno e simples era a chave que me permitia finalmente compreender melhor essa música.
Desta forma, minha busca foi me conduzindo, passo a passo a estas sonoridades que nos remetem a uma época poética e distante...

Violão
O disco começa com Homenaje a Tárrega Opus 69 do compositor espanhol Joaquín Turina (1881-1949). Esta foi a última das cinco obras que Turina escreveu para o violão, composta no ano de 1932. A obra se divide em duas peças breves: Garrotín y Soleares. Garrotín é uma dança flamenca de ritmo binário enquanto Soleares é uma dança andaluza de ritmo ternário baseada na escala frigia. A versão aqui gravada é interpretada segundo a partitura original de Turina, diferente da versão mais conhecida editada por Andrés Segovia. A obra possui um drama interno que se desenvolve com urgência já desde o inicio, dando ao ouvinte a sensação de estar escutando algo que pareceria ter começado muito antes.
O Prelúdio n° 4 composto em 1940 pelo genial Heitor Villa-Lobos (1887-1959) dá início à seção latino americana do disco. Em seguida a este prelúdio de caráter misterioso aparece a descontraída Schottish-Chôro, uma dança de salão de origem europeia escrita em 1912.
Do exímio violonista e compositor paraguaio Agustín Barrios Mangoré (1885-1944) escolhi duas peças que estão entre as minhas preferidas do repertório: a inspiradíssima barcarola Julia Florida (uma bela composição de expressão poética que intercala elementos europeus e latino-americanos) e o Vals em Ré menor, tão finamente concebido que o próprio Chopin não se envergonharia de assinar embaixo.
Para finalizar a parte dedicada à musica latino-americana, seguem duas peças do compositor mexicano Manuel Ponce (1882-1948): o sexto Prelúdio da série de 24 compostos em 1929 e a Valse de 1932. Escolhi o Prelúdio n° 6 para preceder a Valse porque ali se pode, em uma versão mais lenta, ouvir o tema utilizado na segunda seção da valsa. As duas peças tem uma forte influência da música francesa (a Valse foi escrita em Paris) mas também aqui Ponce consegue, como Barrios, fazer com que a música realce a identidade latino-americana balanceando perfeitamente as diferentes linguagens. A Valse é interpretada aqui segundo o manuscrito do compositor, que difere em vários pontos da versão publicada por Andrés Segovia. Uma boa quantidade das obras de Ponce passaram pela revisão do violonista e amigo espanhol, suas modificações contribuem significativamente para o realce da música através de uma impecável realização instrumental, mas no caso particular da Valse considero que a versão original se sustenta perfeitamente sem revisões.

Guitarra clássico-romântica
O nome do compositor espanhol Fernando Sor (1778-1839) ressoa por todos os cantos do mundo como um dos mais conspícuos criadores para o violão de todos os tempos, através de uma vasta obra que inclui um excelente método para o instrumento. A sua sólida técnica de composição, lhe permitiu criar com êxito, óperas, balés e música sinfônica, brilhou também na difícil escrita para o violão, como demonstram estas breves peças que são modelos em seus gêneros. Os dois minuetos possuem sóbria expressão com caráter nostálgico; o primeiro dos dois estudos tem a forma de um belíssimo coral a três vozes, com reminiscências mozartianas, o segundo, apresenta a técnica de polifonia imitativa que segue os lineamentos da forma sonata. As quatro peças possuem em comum um soberbo controle da harmonia e da forma, que fazem delas pequenas obras primas para o instrumento.

Guitarra de 10 cordas
A enigmática figura de David Kellner (c.1670-1748) suscita grande interesse principalmente entre os alaudistas; apesar de ter vivido quase oitenta anos, somente se conservam dele duas obras: um tratado de baixo contínuo, que gozou de certa fama na sua época e sua obra XVI Auserlesene Lauten-Stücke, que em rigor são 17 peças para alaúde de 11 ordens (cordas duplas), instrumento que havia tempo tinha sido substituído pelo de 13 ordens. Kellner nasceu em Leipzig, mas viveu a maior parte de sua vida nos países nórdicos, principalmente na Suécia. Sua atribulada vida o levou a atuar como advogado, poeta, militar e músico. Na última etapa da sua vida atuou como organista e tocador de carrilhões na Igreja alemã de Estocolmo. Dessa época datam as 17 peças para alaúde que foram publicadas em Hamburgo em 1747, um ano antes do falecimento do compositor. Não se sabe se Kellner tocava o alaúde, mas como bom compositor, suas obras são perfeitamente idiomáticas para o instrumento. Selecionei duas fantasias desta coleção, que se caracterizam pelas suas mudanças rápidas de tempo e de tom, dando a verdadeira aparência de música improvisada. São interpretadas aqui com uma guitarra de 10 cordas, que somam às 6 cordas do violão tradicional, os baixos em ordem diatônica descendente: D, C, B, A.

Guitarra barroca
Dos instrumentos utilizados para a gravação deste CD é possível afirmar que a guitarra barroca é o que proporciona o resultado mais dissímil se comparada à mesma música interpretada no violão moderno. Apesar de possuir a mesma afinação do violão que perdura até hoje, o fato de se utilizar ordens duplas ao uníssono e à oitava, produz uma sonoridade única, que traz como consequência uma aprofundada busca pelas possibilidades idiomáticas do instrumento, com a prática de uma técnica muito particular, o que resulta em uma música altamente idiossincrática, de difícil reprodução em outro instrumento. Na França, o cultivo deste instrumento nas cortes levou-o a um alto requinte, como se pode apreciar nas obras que Robert de Visée (c.1655-1733) dedicou ao rei Luis XIV em 1686, em seu segundo livro de obras para a guitarra, ao qual pertencem as peças em mi menor gravadas aqui. François Campion (c.1680-1747) foi outro notável compositor francês, guitarrista, alaudista e tangedor de teorba na orquestra do teatro da Ópera de Paris de 1703 a 1719. Sua contribuição para a guitarra se encontra em seu livro Nouvelles decouvertes sur la guitarre de 1705, onde apresenta obras utilizando oito diferentes maneiras de afinar o instrumento. Ali também constam as primeiras fugas compostas para seu instrumento, uma das quais está gravada neste disco precedida por um Prelúdio. Continuando com a ordem cronológica inversa desde o início do programa preferi que as obras de Campion, que datam do início do século XVIII precedam as de Robert de Visée, já pertencentes ao século XVII.

Guitarra de 8 cordas
O alaúde teve um longo e próspero reinado na Europa, desde a renascença até finais do período barroco, perdurando ainda até começos do século XIX apesar do evidente declínio durante as últimas décadas do século XVIII. O século XVII viu o verdadeiro apogeu do instrumento, que brilhou como rei incontestável nos diversos círculos musicais da época. Pouco se sabe sobre o alaudista e compositor francês Charles Mouton (c.1626-1710), mas sua música nos descobre uma fina sensibilidade. O dolente e expressivo Tombeau (música de homenagem póstuma) está estruturado como uma allemande, em seguida um breve prelúdio escrito sem medida de compasso antecede uma Chaconne de inegável charme, cujas variações baseadas no esquema harmônico são apresentadas no típico estilo francês em forma de rondó. Estas obras são interpretadas aqui com uma guitarra de 8 cordas, que adicionam dois baixos às 6 cordas do violão tradicional, D para a sétima corda e A para a oitava.

Guitarra renascentista
Este instrumento gozou de enorme popularidade na França durante uns 15 anos nos meados do século XVI apesar de ter sido bastante praticado antes e durante todo esse século. Consta de apenas 4 pares de cordas, de maneira que suas possibilidades contrapontísticas são limitadas, por essa razão, a grande maioria das obras publicadas para o instrumento são canções e danças, muito populares na França da época. Essas limitações ao mesmo tempo, representaram um desafio para os compositores, que buscaram explorar também as possibilidades polifônicas latentes no instrumento, embora de forma mais modesta que no alaúde. O primeiro a fazê-lo foi Adrian Le Roy (c.1520-1598) que publicou sua música na França depois do monopólio de muitos anos que, por favor real, Pierre Attaignant exerceu sobre a impressão de música. A primeira obra publicada para guitarra renascentista na França foi a Fantasia de Le Roy que aparece no Le Premier Livre de Guiterre de 1551. A Pimontoyse é uma dança vivaz e de interessante fatura rítmica e faz parte do Tiers livre de tabulature de guiterre de 1552. Guillaume Morlaye (c.1510-1558) publicava em 1552 Le Premier Livre de Guiterne, que também se inicia com duas fantasias, das quais a primeira está gravada neste disco. Também faz parte do mesmo livro o Bransle que segue.

Vihuela
A vihuela é um instrumento singular em muitos aspectos, foi somente utilizada na península ibérica em substituição ao alaúde, que sendo de procedência árabe não deixaria boas recordações depois de quase oito séculos de ocupação. Seu formato é original e tido como um instrumento nobre para o qual se concebeu música altamente inspirada. Não obstante, a afinação da vihuela permaneceu a mesma que a do alaúde, de forma que a música de ambos os instrumentos pudesse ser intercambiável. Outro aspecto singular na história da vihuela é que para ela foi composto o primeiro tema com variações concebidas para um instrumento na história da música: trata-se da célebre romanesca Guárdame las Vacas, sobre a qual, o ilustre Luys de Narváez (c.1500- c.1560) compôs suas excelentes diferencias, nome dado na Espanha para designar as referidas variações. Esta obra pertence a seu livro de vihuela Delphin de Música de 1538. Uma grande parte do repertório para vihuela é formada por transcrições e arranjos de partes de missas, motetes e canções da época ou da geração anterior. Uma das realizações que mais sobressai nesse gênero de todo o repertório é a belíssima Mille Regretz (mil lamentos) do famoso compositor Josquin Des Prez, que Narváez adaptou para a vihuela e cujo subtítulo La Canción del Emperador, faz alusão à que seria a música preferida do imperador Carlos V da Espanha.
Alonso Mudarra (c.1510-1580) é o autor de uma obra extraordinária no contexto do século XVI, a Fantasia X "que contrahaze la harpa a la manera de Ludovico" escolhida do primeiro de seus Tres Libros para Vihuela de 1546. Nela, o compositor imita a maneira surpreendente na qual tocaria a harpa o mencionado Ludovico. O autor escreve perto do final da partitura: “desde aqui fasta açerca del final ay algunas falsas, tañiendo se bien no pareçen mal”, o que significa que o intérprete se deparará com algumas notas dissonantes, que bem tocadas não irão parecer que soam mal. Como a peça é rápida, imaginamos a surpresa dos primeiros intérpretes ao ter que decifrar esta música primeiramente a um tempo mais lento, onde estas sonoridades pareceriam absolutamente estranhas! Não por acaso o próprio compositor escreveu no início: es difficil hasta ser entendida, ou seja: é difícil até ser entendida. Mas não é somente sua harmonia o aspecto surpreendente desta breve peça, mas também o ritmo, que em seu ponto culminante chega a manifestar um agrupamento de 3+3+2 que demoraria tantos séculos em aparecer de forma usual!
400 anos antes da última composição para guitarra de Joaquín Turina, que é a que inicia o disco, no mesmo país, Espanha, Luys Milán (c.1500-1561) escrevia sua primeira obra para a vihuela, a Fantasia I del primer tono que inicia o livro El Maestro de 1535.

Desta forma, o disco termina com a primeira obra jamais escrita para a vihuela, a peça mais antiga do presente programa, nesta viagem musical através dos séculos, com as sonoridades de diversos instrumentos, no buscar -Ricercare- uma linha que nos conduza ao passado como parte contemporânea de nossa vida, um passado vivo e rico que nutre e justifica também nosso presente.

Marcos Pablo Dalmacio (2015)

ENGLISH TEXT

Ricercare

This recording is my first solo work, a kind of summary of several years of study generated by my permanent curiosity an passion for music. It also reflects a great part of my interests that encounter new ideas, that curiously, come from the past through old scores and instruments that help me decode them.

The repertoire of this recording is presented in an inverse chronological order: it starts with Spanish and Latin American 20th century music and it ends with Hispanic music for vihuela of 16th century. In order to follow this musical path I use traditional guitar, 8 and 10 string guitar, early romantic guitar, baroque and renaissance guitar and vihuela previously mentioned. My intention with this order of the program was to avoid the idea of development meaning improvement, according to which, the modern guitar would be a superior instrument to its predecessors. It is truth that in guitar it is possible to play all the music written for vihuela, but it is impossible to interpret with it any work by Villa-Lobos for instance. It is easy in this sense to confuse versatility with superiority although the practice to play music with period instruments show us ways and solutions that we could hardly ever have found playing the same music with modern guitar, consequently we acquire other perspective when the pieces are played on the instrument to which they were thought. I always played the vihuela music with great pleasure on the guitar but many years later when I had the opportunity to play the same works on the original instrument it was an increased joy because the charm of its peculiar shape and delicate sonority. It was an amazing surprise to me the discovery of the renaissance guitar. I remember having played music of Adrian Le Roy since the beginning of my studies and that is why I recently commissioned a replica of this guitar from 16th century. To my happiness I discovered that this little and simple instrument was the key that finally let me understand this music better. Thus my search was gradually leading me to these sonorities that take us to a distant and poetic epoch.

6 string guitar
The recording starts with Homenaje a Tárrega Opus 69, by the Spanish composer Joaquin Turina (1881-1949). This was the last of the five works that Turina wrote for guitar, composed in 1932. The work is divided into two short pieces: Garrotin and Soleares. Garrotín is a flamenco dance of binary rhythm while Solares is an Andalusian dance of ternary rhythm based on the Phrygian scale. The version here recorded is interpreted according to the original Turina score, different to the most well- known version edited by Andrés Segovia. The piece possesses an inner drama which develops with urgency since the beginning, leaving the listener the sensation of familiarity with its content as if they had listened to it before.
The Prelude n° 4 composed in 1940 by genial Heitor Villa-Lobos (1887-1959) starts the Latin American section of the recording. Following this prelude of mysterious character, comes the relaxed Schottish-Chôro, a ballroom dance of European origin written in 1912.
From the superb violinist and composer Paraguayan Agustín Barrios Mangoré (1885-1944) I have chosen two pieces which are among my favorite ones in the repertoire, the extremely inspired barcarole Julia Florida (a beautiful composition of poetical inspiration that interchanges European and Latin American elements) and waltz in D minor, which Chopin himself would not regret signing.
To finish the section dedicated to Latin American music, follow two pieces by Mexican composer Manuel Ponce (1882-1948): the sixth prelude from the series of 24, composed in 1929 and Valse from 1932. I have chosen Prelude n. 6 to precede Valse because there, it is possible in a slower version, to listen to the theme used during the second section of the waltz. Both pieces have a strong French music influence (Valse was written in Paris) nevertheless, hereby Ponce achieves as well as Barrios that the music highlights the Latin – American identity perfectly balancing the different languages. Valse is interpreted here according to the composer´s manuscript, which differs in several points from the original version published by Andrés Segovia. A great quantity of Ponce´s works go under the review of the Spanish guitarist and friend, his modifications contribute significantly to highlight the music through a spotless instrumental performance but, particularly in Valse, I consider that the original version supports itself without revisions.

Early romantic guitar
The name of Spanish composer Fernando Sor (1778-1839) echoes all around the world as one of the most conspicuous creators for guitar of all times, through a vast work that includes an excellent method for the instrument. His solid composition technique, let him create with success, operas, ballets, and symphonic music, he also shined in the hard writing for guitar, as shown in these brief pieces which are models in their genres. Both minuets possess a sober expression with nostalgic character; the first of both etudes has the form of a beautiful choral for three voices, with Mozartian reminiscences, the second one, presents the technique of imitative polyphony following the sonata principles. The four pieces have in common a superb control of harmony and shape, which make of them masterpieces for the instrument.

10 string guitar
The enigmatic figure of David Kellner (c.1670-1748) rises great interest mainly among lutenists, in spite of having lived almost 80 years, there are only two of his works remaining: a treatise of thorough-bass, which profited certain popularity in its period and his work XVI Auserlesene Lauten-Stücke, which are 17 pieces for 11 course lute, instrument that had already been replaced by the 13 course lute. Kellner was born in Leipzig, but lived most of his life in the Nordic countries, mainly in Sweden. His busy life made him work as a lawyer, poet, military and musician. In the last part of his life he acted as organist and carillon player at Stockholm German´s church. From this period emerge 17 pieces for lute published in Hamburg in 1747, a year before the composer´s death. It is not known if Kellner played the lute, but as a good composer, his works are perfectly idiomatic for the instrument. I selected two fantasies from this collection, characterized by their sudden changes of time and tonality, giving a real appearance of improvised music. Hereby, are interpreted with a 10 string guitar, which add up to the 6 strings of traditional guitar, the bass in diatonic descendent order: D,C,B,A.
Baroque guitar
From the instruments used to record this CD it is possible to state that baroque guitar is the one which provides the most dissimilar result in comparison to the same music played on modern guitar. In spite of possessing the same tuning of modern guitar that lasts until today, the fact of using double course at unison and at octave, it produces a unique sonority, which brings as consequence a deep search for the idiomatic possibilities of the instrument, with the practice of a very particular technique, which results into a highly idiosyncratic music, of hard reproduction on other instrument. In France, the cultivation of this instrument in the courts brought a high refinement, as seen in Robert de Visée works (c.1655-1733) who dedicated to King Louis XIV in 1686, in his second book of works for guitar to which belong the pieces in E minor recorded here. François Campion (c.1680-1747) was other notable French composer, guitarist, lutenist and theorbo player in the Opera of Paris orchestra from 1703 to 1719. His contribution to guitar is in his book Nouvelles decouvertes sur la guitarre of 1705, where are introduced works using eight different ways of tuning the instrument. Thereby are the first fugues composed for his instrument, one of which is recorded into this CD preceded by a prelude. Continuing with the inverse chronological order since the beginning of the program I have preferred that Campion`s works, which come from the beginning of XVIII century precede Robert de Visée ´s, belonging to XVII century.

8 string guitar
The lute had a long and prosperous reign in Europe, from renaissance to the end of baroque period, still lasting until the beginning of XIX century, in spite of the evident decline during the last decades of XVIII century. XVII century saw the real apogee of the instrument, which shone as undeniable king in the vast musical circles of the period. It is very little what we know about the lutenist and French composer Charles Mouton (c.1626-1710) although his music reveals a fine sensitivity. Painful and expressive Tombeau (music of posthumous homage) is structured as an allemande, next a brief unmeasured prelude precedes a Chaconne of undeniable charm, which variations based in an harmonic scheme are presented in a typical French style in rondo form. These pieces are interpreted hereby with a 8 string guitar, that add two bass strings to the 6 of the traditional guitar, D for the seventh string and A for the eight.

Renaissance guitar
This instrument profited its enormous popularity in France for around fifteen years in the middle of XVI century in spite of being played before and during all that century. It consists of only 4 pairs of strings, thus, its contrapuntal possibilities are limited, that is the reason why the majority of published works for this instrument are songs and dances, very popular in France at the period. These limitations also represent a challenge for composers, that intend to explore the polyphonic possibilities lying in the instrument, even in a more modest way than in the lute. The first in doing so was Adrian Le Roy (c.1520-1598) who published its music in France after the monopoly which by royal favors, Pierre Attagnant had for many years. The first work published for renaissance guitar in France was the Fantasy by Le Roy which appears in Le Premier Livre de Guiterre of 1551. Pimontoyse is a lively dance of an interesting rhythm and is part of Tiers livre de tabulature de guiterre of 1552. Guillaume Morlaye (c.1510-1558) published in 1552 Le Premier Livre de Guiterne, that is also started with two fantasies, from which the first one is recorded in this work. It is also part of the same book the Bransle that follows it.

Vihuela
The vihuela is a singular instrument in many aspects, it was only used in the Iberian Peninsula as substitute for lute, that being from Arabian origins would not leave good memories after almost eight centuries of occupation. Its shape is original and considered as a noble instrument for which it was conceived highly inspired music. Nevertheless, the tuning remained the same as the lute, as a way to interchange the music for both instruments. Another peculiar aspect of vihuela history is that it was composed for it the first theme with variations conceived for an instrument in the history of music: it is the well- known Romanesque Guárdame las vacas, on which the illustrious Luys de Narváez (c.1500-c.1560) composed his excellent diferencias, name given in Spain to call the variations. This work belongs to his vihuela book Delphin de Música of 1538. A big part of the vihuela repertoire is formed by transcriptions and arrangements of mass parts, motets and songs of the period or of the previous one. One of the most beautiful productions which is outstanding in the genre of all the repertoire is the marvelous Mille Regretz (a thousand regrets) by the famous composer Josquin Des Prez, which Narváez adapted for vihuela and whose subtitle La Canción del Emperador, reminds the favourite piece of Charles V of Spain.
Alonso Mudarra (c.1510-1580) is the author of an extraordinary work in the context of XVI century, Fantasia X "que contrahaze la harpa a la manera de Ludovico" (which imitates the harp on Ludovico´s way) chosen from his first book of Tres Libros para Vihuela of 1546. Inside it, the composer imitates the surprising way in which Ludovico could have played the harp. The author writes near the end: desde aqui fasta açerca del final ay algunas falsas, tañiendo se bien no pareçen mal, which means that the interpreter will encounter some dissonant notes, which well played will not sound badly. As the piece is fast we can imagine the surprise for the first players having to decode this music firstly at a slower speed, where these sonorities seemed to be absolutely strange! Not by chance, the author wrote at the beginning: es difficil hasta ser entendida, it means it is difficult until being understood. But it is not only its harmony the surprising aspect of this short piece, but the rhythm, which in its culminate point, comes to grouping 3+3+2 that would take such a long time to appear in an ordinary pattern. 400 years before the last composition for guitar by Joaquin Turina, which starts this recording, in the same country, Spain, Luys Milán (c.1500-c.1561) wrote his first piece for vihuela, Fantasia I del primer tono which starts the book El Maestro of 1535.
On this way, the recording finishes with the first work never written for vihuela, the oldest piece of this program, through this musical journey throughout the centuries, with the sonority of the different instruments –Ricercare- searching for a line that leads us to the past as a contemporary part of our life, a rich and vivid past which nurtures and justifies our present as well.

Marcos Pablo Dalmacio (2015)
English text by Karina Estela Pires Carneiro Viana


Gravado entre Abril e Junho de 2015
Recorded between April & June 2015









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